AUTOMAÇÃO REDUZ PERDAS DA CAB PARA MENOS DE 30%

CAB ambiental

DSC_0602Os melhores métodos de combate à água não faturada foram tema de palestra de Giuliano Dragone

 

Enquanto que, em média, as companhias brasileiras de saneamento básico deixam de contabilizar em seu faturamento 42% da água que produzem — seja por conta de falhas estruturais (como vazamentos na rede de distribuição e transbordo de reservatórios) ou por perdas não aparentes (como submedição do consumo por hidrômetros avariados e ligações clandestinas de água) — empresas do setor valem-se de tecnologias de automação e telegestão do sistema de água para reduzir as perdas a valor três vezes menor. Em sua participação no evento InfraBrasil Saneamento no dia 1º/02, o diretor técnico da CAB ambiental Giuliano Dragone apresentou a unidade da empresa em Palestina (SP) que, ao implantar esta estratégia em 2008, reduziu suas perdas de água de 40% para 13%.

 

Na ESAP, Sociedade de Propósito Específico (SPE) que opera Palestina, as informações de todas as variáveis do processo de produção e distribuição de água, como o nível dos reservatórios, a vazão da saída da água e sua pressão na rede, são captadas por sensores eletrônicos e centralizadas em um Controlador Lógico Programável (CLP), processador que armazena e monitora remotamente todos esses dados. “Antes, a supervisão era feita por com controladores volantes comunicando-se por rádio. Em uma cidade como Palestina [9 mil habitantes], tínhamos limitações orçamentárias. Para checar o nível dos reservatórios, uma pessoa percorria todos eles de bicicleta”, lembra Dragone. “As ações eram reativas e estávamos sujeito a erros de cálculo.”

 

Com o novo sistema, que também permitia intervenções à distância, a identificação de ocorrências se tornou mais eficiente, os volumes de água captada e distribuída passaram a ser monitorados online e a pressão da água foi controlada. “Como resultado, houve uma queda brusca no rompimento de adutoras”, diz Dragone. “Os reservatórios transbordavam diariamente. Após a automação, os níveis foram ajustados.”

 

Regularização do consumo, um desafio

Em muitas cidades, atrelar o pagamento dos serviços de água pelo volume consumido ainda é um tabu — principalmente em locais onde a hidrometração é recente, e a abundância deste recurso, aliada à sua indispensabilidade, induz a um hábito (arraigado culturalmente) de alto consumo e recusa em financiar o custeio de seu tratamento e distribuição. “Por isso, todas as ações de instalação e troca de hidrômetros têm de ser precedidas de um intenso trabalho de conscientização da população local”, alerta Dragone.

 

O diretor cita a CAB Águas de Paranaguá, unidade da empresa em um dos maiores portos do Sul, em que havia a necessidade de troca dos aparelhos na região do porto — eles já somavam oito anos de idade e aferiam na conta de água valores menores ao que era realmente consumido. “Isso poderia gerar insatisfação dos clientes, pois hidrômetros eficientes causariam um aumento na conta.”

 

Dragone relata que a troca de aparelhos foi acompanhada por uma série de melhorias que atestavam o compromisso da empresa com a qualidade de vida da população, acima de tudo. “Além de lançar a campanha convencendo as pessoas da importância de trocar os hidrômetros e realizar o consumo consciente da água, fizemos manutenções nas estações elevatórias que reduziram o custo da energia na distribuição, e promovemos uma série de obras para sanar os vazamentos da rede de água no local.”

 

 

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Caio Martins ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )

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